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O que é e como tratar lesão do ligamento cruzado anterior


Autor: Daniel Padilha - Coordenador Clínico / CREFITO: 3/235810-F

Publicada em : 30/10/2018

O que é o Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é uma estrutura localizada na região anterior do joelho e que compõe o complexo articular do mesmo. Este importante ligamento é o responsável por unir diretamente o fêmur e a tíbia, que são os ossos da coxa e do tornozelo respectivamente.

A sua função é estabilizar a articulação do joelho, impedindo que seja realizado o movimento de anteriorização da tíbia em relação ao fêmur, e assim impedir lesões.

 

Quais são as causas da lesão do LCA?

Sua lesão pode ser parcial ou total e pode ocorrer em variadas situações. É muito comum durante a realização de esportes que exigem paradas bruscas, seguidas de mudanças de direção repentinas, como por exemplo, o futebol e o basquete.

Porém, não são somente atletas que podem ser acometidos, uma vez que a lesão também pode ocorrer durante partidas de futebol entre os amigos no final de semana, por algum trauma ou acidente, ou até mesmo durante a execução de alguma atividade no seu dia a dia.

O nível de acometimento e os sinais e sintomas relatados pelo paciente irão depender também do grau de lesão apresentada.

Durante a rotina clínica, costumamos dizer que existem 3 graus de lesão do ligamento cruzado anterior, baseado em seu grau de gravidade, onde essas lesões podem ser definidas como estiramento. São eles:

·         Grau de estiramento 1: Este pode ser definido com um grau de lesão leve, onde não houve um comprometimento grave da estrutura e esta consegue ainda manter a sua função, porém deve-se manter a atenção neste caso.

·         Grau de estiramento 2: Este é um grau um pouco mais grave do que o anterior, pois neste caso o ligamento cruzado anterior se rompe parcialmente. Este evento traz como conseqüência um grau de acometimento um pouco maior para o paciente, como dores e até mesmo dificuldade na execução de movimentos.

·         Grau de estiramento 3: É o grau de acometimento mais grave, caracterizado pela ruptura completa da estrutura. Com isso, o paciente passa a ter dor intensa, instabilidade total do joelho, edema articular e outras repercussões.

 

 

Sintomas

Como já foi dito anteriormente, os sinais e sintomas relatados pelo paciente irão depender do grau de estiramento apresentado da estrutura do ligamento.

Quando há ruptura do ligamento cruzado anterior, é comum ouvir um barulho que vem seguido do deslocamento anormal da tíbia em relação ao fêmur. Além disso, é comum apresentar sintomas como dor, inchaço no local, instabilidade articular, sensibilidade local, dificuldade na realização de movimentos, e até mesmo andar.

 

Tipos de tratamento

O tratamento é de extrema importância para o sucesso na recuperação da função. Sendo assim, quando antes ele for iniciado, melhor será para a recuperação do paciente, pois poderá evitar que outras estruturas, como cartilagem e meniscos, sejam comprometidas por uma sobrecarga na articulação.

 

·         Tratamento cirúrgico:

Principalmente quando há ruptura do ligamento, a cirurgia acaba sendo indicada. É realizado a reconstrução do ligamento utilizando enxertos de tendões de outros músculos, como os do semitendineo e grácil, ou o ligamento patelar. Pode-se fazer a sutura do ligamento, o que não é comum, ou então a reconstrução do ligamento cruzado anterior.

 

 

·         Tratamento pós cirúrgico:

Após a cirurgia, para voltar as funções normais do joelho, a fisioterapia é extremamente necessária. Os cuidados iniciais no pós-operatório imediato, é a reativação muscular, preservação da amplitude de movimento e orientações quanto aos movimentos básicos de vida. O tratamento após reconstrução do LCA leva em média de 6 à 9 meses, nos primeiros meses o objetivo é restabelecer a força muscular e os movimentos de extensão e flexão de joelho, recursos como a eletroterapia e terapia manual são muito utilizados nesse período. Na fase intermediária, o objetivo principal é o ganho de força, coordenação e controle neuromuscular. Nos últimos meses os objetivos são de retorno esportivo e prevenção, onde são trabalhados movimentos de controle específicos do esporte ou atividade praticada, além de trabalhar o membro contralateral a fim de prevenir ao máximo uma outra lesão. Quando o tratamento de reabilitação é realizado de forma programada e com uma boa frequência, as chances de ter alguma sequela (instabilidade e falta de movimento) são muito baixas. Nós da Physio Institute costumamos avaliar o paciente como um todo, onde a sua programação de reabilitação no pós-operatório é personalizada de acordo com as necessidades de cada paciente.

  

·         Tratamento conservador com fisioterapia ortopédica:

Quando a lesão apresenta um grau mais leve e a sobrecarga diária que a articulação recebe é muito pequena ou quase nula, é realizado um tratamento conservador com a fisioterapia a fim de fortalecer a musculatura de quadril e joelho, para que ela possa manter a estabilidade da articulação.

Atualmente alguns estudos sugerem e indicam que alguns pacientes podem se beneficiar do tratamento conservador mesmo quando há ruptura total do ligamento, esses pacientes são chamados de “coopers”, pois a ruptura do ligamento não prejudicou a funcionalidade do paciente. Porém a opção de cirurgia e reabilitação com fisioterapia ainda é mais segura.

Em ambas as opções de tratamento, o paciente nunca deve deixar de realizar a fisioterapia, seja para diminuir os sintomas de dor, edema e instabilidade. Quanto mais precocemente o paciente procurar um tratamento, menores serão as chances de uma nova entorse de joelho no mesmo membro inferior ou no contralateral.

Mesmo quando o caso é mais grave e o tratamento é cirúrgico, deve-se fazer um acompanhamento com um fisioterapeuta pré e pós cirurgia quando possível. O tratamento pré-cirúrgico irá preparar a articulação para a cirurgia e ainda repercutirá de forma totalmente positiva no pós-cirúrgico, contribuindo para uma recuperação mais rápida.

Já o tratamento fisioterapêutico pós-cirúrgico irá servir para devolver ao paciente a plena função da articulação, proporcionando amplitude de movimento, diminuindo a dor e o processo inflamatório, aumentando a força muscular, a mobilidade e o equilíbrio que normalmente são perdidos com a lesão e a cirurgia.

Tratamento com fisioterapia esportiva: Quando se trata de pacientes praticantes de atividades físicas ou atletas, o ideal é que o tratamento fisioterapêutico seja realizado com um fisioterapeuta do esporte, pois além de tratar a lesão de forma ortopédica, ele irá direcionar o tratamento de maneira a promover o seu retorno ao esporte de forma progressiva e segura, evitando ao máximo a reincidência da lesão.

  

 

Fontes científicas:

Chmielewski TL, Rudolph KS, Fitzgerald GK, Axe MJ, Snyder-Mackler L.

Biomechanical evidence supporting a differential response to acute ACL injury.

Clin Biomech (Bristol, Avon). 2001 Aug;16(7):586-91

Van Yperen DT, Reijman M, Van Es EM, Bierma-Zeinstra SMA, Meuffels DE.

Twenty-Year Follow-up Study Comparing Operative Versus Nonoperative Treatment of Anterior Cruciate Ligament Ruptures in High-Level Athletes. Am J Sports Med. 2018

Apr;46(5):1129-1136.

 

Foto: Javi_Indy / Freepik

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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